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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Critica da Imagem Eurocentrica


Como explicita bem o título da obra, o livro empreende uma desconstrução crítica de conceitos que abrangem idéias eurocêntricas[1] arraigadas em nossa cultura, de tal maneira que, ao avançarmos no texto, nos percebemos também, como frutos desta cultura moderna do cinema (europeu e hollywoodiano) e da imagem midiática.

A etimologia serve ao texto como uma das ferramentas fomentadoras dessa crítica. Os autores analisam e questionam a origem de palavras e termos perpetuadores da hegemonia européia tais como: colonialismo, pós-colonialismo,descobrimento, terceiro mundo, dentre outras que, segundo os autores, servem para reforçar as contradições geradas por uma visão que, tende a colocar a Europa como centro irradiador de todos os eventos históricos determinantes do mundo ocidental e, inclusive do oriental.

Os autores propõem o desenvolvimento de uma metodologia com perspectivas sócio-históricas que, levem em conta um raciocínio histórico não-linear. Admitindo a existência de diferentes cronologias ou de tempos ontológicos, para estabelecer uma leitura da história social da humanidade que, leve em consideração, os pressupostos do multiculturalismo, como principal ponto para abordar conceitos complexos e garantir uma compreensão da diversidade cultural e dos sistemas inter-relacionais instituídos nas diferentes sociedades.

Paralelamente, apontam para uma perspectiva de leitura policêntrica em contraposição à eurocêntrica, cujo centro não confluirá de “cima para baixo” e sim de todos os pontos interligados culturalmente no plano geográfico global. Levando quase à inexistência de um centro e sim a aceitação de diversos centros promotores culturais.

Tal abordagem permite revisar a construção histórica moderna, levando em conta diversos pontos de vista, provenientes não apenas do amplo espaço geográfico mas, também, daqueles que foram excluídos historicamente do espectro social contemporâneo. Oprimidos pelo imperialismo desde o século XV com a expansão marítima européia e com a construção de uma nova fase de escrita historiográfica.

Assim, rever o processo de reconstrução do texto histórico moderno torna-se urgente, a fim de reconstruí-lo a partir de uma abordagem plural que agregue vozes de movimentos feministas, étnicos, de gênero, de classe e religião. Aspectos que, juntos, somam uma maioria em busca de representatividade, através do exercício da crítica a indústria midiática e cultural, que empreende a difusão massiva da visão eurocêntrica, racista e segregacionista em detrimento de uma composição heterogênea que preze pela democracia e pelos direitos humanos.

O livro não intenta discutir as origens de tais conceitos ou do multiculturalismo, mas sim, dar continuidade a esse raciocínio a partir de outras abordagens, tais como a análise da imagem cinematrográfica em produções que vão desde o advento do cinema até os dias atuais.

Ambos os autores, professores da Universidade de Nova York, críticos e pesquisadores da imagem cinematográfica, realizam uma análise crítica do cinema eurocentrista colocando-o como uma das principais armas imperialistas responsáveis pela imposição de conteúdos ideológicos favoráveis às classes dominantes. Capaz de influenciar e perpetuar a supremacia de uma classe em detrimento de outras. Sem, contudo, deixar de observar as tentativas de enfocar uma abordagem mais plural ou até mesmo identificando antagonismos que revelam fragilidades dentro dessas produções ou de produções voltadas para a temática étnica e racial. Salientando que todos os povos de uma maneira ou de outra constitui-se desta pluralidade sincrética que não pode ser negada como fator determinante e constituinte da sociedade. Tal negação revela o grau de alienação e racismo de um povo. Contudo, admiti-lo através da propagação de imagens estereotipadas como forma de propaganda ideológica pode, por outro lado, revelar a mesma falha.

Ao longo do texto, são citados filmes de diferentes épocas, desde o cinema mudo, onde os autores já identificam a gênese cinematográfica de ícones e símbolos da campanha imperialista e liberal, ilustrando um período pós-industrial amplamente explorado pela cinematografia européia.

Os autores analisam esses ícones e desnudam sua simbologia contrapondo-os a produções de outros países que, paralelamente, iniciaram suas próprias experiências. Países esses que tiveram suas produções sufocadas pelo poder de dominação e pelo marketing da indústria cultural, sobretudo dos Estados Unidos. Podemos mencionar, as produções citadas pelos autores, de países como a Índia, a América Latina, a China, o Irã, A Argélia dentre outros enumerados e citados com dados bibliográficos regionais e de estudos de descendentes localizados em países europeus e estadounidense.

O livro torna-se leitura obrigatória para todos mas sobretudo para pessoas interessadas em crítica, cinema e educação. Sobretudo pelas dicas que os autores dão a esses profissionais, como podemos ver nas passagens abaixo:

Um professor ou programador de mostra de cinema deve exibir um filme paternalista sobre a África, como Entre dois amores, mas contrastá-lo com um filme africano, como Emitai (1971) Camp de Thiaroye (1987).[2]

Desse modo, professores de história ou de estudo de cinema tornam-se ativistas culturais, orquestrando clivagens iluminadoras de perspectivas e estéticas, montagens intelectuais não de cenas, mas de filmes e discursos.[3]



[1] Os autores definem como eurocêntrica, não apenas as manifestações provenientes do continente europeu mas, também aquelas de países dominantes como os Estados Unidos que mantêm e exercem esta característica marcante.

[2] SHOHAT, Ella e STAM, Robert _ Crítica da imagem eurocêntrica._ Multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac Naify, 2006,

[3] Idem, p. 353.

Links Observatórios de mídia

http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/55edicao/academica.pdf
http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content_static.php?option=com_content&task=view&id=12
http://renoi.blogspot.com/
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/objetivos.asp
http://www.canaldeimprensa.com.br/
http://www.observatorio.ig.com.br/
http://www.obercom.pt/
http://www.comuniquese.com.br/
http://www.tvebrasil.com.br/observatório
http://www.observatoriodemidia.org.br/
http://www.unb.br/fac/sos/
http://www.univali.br/monitor/
http://www.mediawatch.com/
http://www.aim.org/
http://www.fair.org/
http://www.pmwatch.org/
http://www.cpbf.org.uk/
http://www.eticanatv.org.br/ http://www.tvebrasil.com.br/observatorio/sobre_dines/memoria.htm http://www.igutenberg.org/jjornais24.html http://www.ombudsmaneoleitor.jor.br/pressoes.htm http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/mo051098.htm
http:// www.metodista.br/unesco/midi@fórum – em 5 set. 2005.
http://www.observatoire-medias.info – em 5 set. 2005.
http://www.portoweb.com.br/PierreLevy/aemergen http://www.saladeprensa.org
http://www.inep.gov.br
http://usinfo.state.gov/journals/itgic/0401/ijgp/ig0402.htm.
http://www.intexto.ufrgs.br/n11/a-n11a5.html

Bibliografia indicada

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BARBOSA, Ana Mãe. A Imagem no Ensino da Arte: Anos 80 e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.
BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Trad. de Julio Castañol Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
_________. Rethoric of image. Apud. INNIS. Robert E. (org.) Semiotics. An Introductory Anthology. Bloomington: Midland Book, Indiana University Press, 1985.
BUORO, Ana Amélia Bueno. Olhos que pintam: A leitura da imagem no ensino da arte. 2ª ed. São Paulo: Educ/Cortez, 2003.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Midias. São Paulo: Contexto, 2006.
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DAY, R. H. Psicologia da percepção; [trad. Departamento de Psicologia Educacional, Faculdade de filosofia, Ciências e letras], Universidade de São Paulo. 3ª ed; Rio de Janeiro: José Olympio,1979.
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FLUSSER, Vilém. A filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. 1ª ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
FOERST, Gerda M. S. Leitura de imagens: Um desafio à educação contemporânea. Vitória: EDUFES, 2004.
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HERKENHOFF, Paulo. Rosângela Rennó. São Paulo: EDUSP, 1998.
INNIS. Robert E. (org.) Semiotics. An Introductory Anthology. Bloomington: Midland Book, Indiana University Press, 1985.
KELLNER, Douglas. A cultura das mídias – Estudos culturais: identidadee política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.
KOSSOY, Boris. Fotografia & História, 2ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.
OLIVEIRA, Ana Claudia (org.) Semiótica Plástica. São Paulo: Hacker Editores, 2004.
PILLAR, Analice Dutra (org.) A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 1999.
SANTAELLA, Lucia & NÖTH, Winfried. Imagem, cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1997.
SHOHAT, Ella e STAM, Robert _ Crítica da imagem eurocêntrica._ Multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
SOUZA, Jorge Pedro. Uma história Crítica do Fotojornalismo Ocidental. Florianópolis/Chapecó: Grifos, Letras Contemporâneas, 2000.
SONTAG, Susan. Ensaios sobre fotografia. Trad.Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Monografias:

ALVES, Augusto Capovilla. Projeto: FOTO-GRAFA. Vitória: UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), 2006.(monografia de conclusão de curso)
AGUIAR, Tânia Pereira. Leitura de imagens: Uma abordagem na sala de aula. Vitória: UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), 2005. (monografia)

Fotolivros:

HERKENHOFF, Paulo. Rosângela Rennó. São Paulo: EDUSP, 1998.
NEVES, Eustáquio. Coleção FOTOPORTÁTIL, vol.5, São Paulo: Cosac Naify, 2006.
SILVA, Fernando Pedro da & RIBEIRO, Marília Andrés. Rosângela Rennó: Depoimento [Edição do texto e organização do livro: Janaína Melo] Belo Horizonte: C/Arte, Coleção Circuito Atelier, 2003.
RENNÓ, Rosângela. O Arquivo Universal e Outros Arquivos. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
WECHSLER, Lawrence. David Hockney _ Camera works. 1ª ed. London: Thames and Hudson Ltd, Great Britain, 1984.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Répúdio à mídia e à alienação

Vitória, sexta-feira, 29/06/2007.

Nem sei como falar sobre o que já está sendo por tantas vezes dito. Contudo, por saber que muitos sabem e por saber que mesmo sabendo ainda fingem não saber, deixo aqui o meu repúdio à apatia social, que deixa a mídia ser como é e que a sustenta. A mídia assim como a política, é reflexo de nossa sociedade. Marcada pelo ódio mal direcionado alienado.

Deixo o meu repúdio áqueles que amam e veneram a alienação, que foram paridos por ela e não conseguem se desvencilhar da barra da saia desta mãe desnaturada. Do mau do capitalismo. Meu repúdio aos consumistas inveterados, aos play boys e burgueses, aos pobres de espírito. Aos que consomem a cultura lixo das rádios, jornais e revistas de fofoca, que não ajudam em nada. Pois quem consome a burrice a alimenta e é cúmplice de toda essa impunidade.

Despejarei aqui todo o meu ódio sobre a mídia, aos maus políticos que muitos de nós somos a cada dia, à apatia social.

Deixo o meu repúdio não só aos donos da mídia, mas à todos aqueles que se vendem à ela, que a servem, que não enxergam que precisam lutar pelos seus direitos em busca de uma sociedade mais justa.

Trabalhei no jornal A Tribuna de Vitória, no Espírito Santo e posso, com base em minha vivência de determinados fatos deixar aqui a minha opinião à respeito.

Será preciso contudo, escrever inúmeras páginas à respeito começarei pelo mais “quente”, a exploração da violência por parte da mídia.

O mundo está violento, está uma merda, as pessoas se matando a todo tempo, em 45 dias de operação da polícia militar, no Rio cerca de 45 pessoas já foram mortas, dentre elas crianças, jovens e pessoas inocentes. Até quando???????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Deixo aqui o meu repúdio a todos aqueles que por desconhecerem a realidade dessas localidades, acreditam que a polícia está fazendo um belo papel e não entendem a raiz do problema.

As tropas brasileiras invadiram o Haiti há três anos e estão fazendo o mesmo que a polícia militar nos morros do Rio e poucos sabem os verdadeiros motivos a que vendemos nossos alienados soldados.

O que nós estamos falando a esse respeito? O que a mídia está dizendo? Não estamos conseguindo mudar nada!!

A mídia não cumpre o seu papel, pois a mídia, assim como os comandantes da PM, do exército e das elites defendem apenas os interesses da minoria, que se acha privilegiada, mas que já sente as ameaças do sistema exploratório que está levando à miséria e ao desespero grande parte da população nacional.

De que lado nós estamos?????????????
Vocês repórteres e fotojornalistas, de que lado estão?
Quando ao fotografarem um morto, a sua foto não sai, pois são tantos os mortos, que já não vendem mais jornal? Mas tem sempre lugar para uma loira burra nas capas. (e isto em especial para o jornal A Tribuna do ES). Cadê a família desses mortos? Cadê a voz desse povo que não se houve na mídia?

Precisamos sim ouvir mais uma vez qual é a verdadeira raiz do problema até que paremos e pensemos juntos maneiras de resolvê-lo.

Só ouvimos as vozes da polícia, dos generais e das “autoridades”.

SOU DO POVO! QUERO OUVIR A NOSSA VOZ NOS JORNAIS, REVISTAS, CANAIS DE TV, RÁDIOS.

Quero ter um espaço para declarar o meu repúdio às operações genocidas e convocar meus semelhantes para tomarmos providências contra isso pois isso não pode continuar assim.

O espaço da internet é pouco, quero as rádios, as praças, os palanques, para gritar a todos que saiam dos shoping centers, parem de pensar um pouco em si mesmos e olhem para o que está acontecendo à volta, para mudar.

Estarei colocando em meu blog uma série de críticas à mídia, e aos meus colegas repórteres, colocando algumas das experiências que vivenciei quando fotografava e denunciando o que deveria ser feito, mas não é. Denunciando a mídia que assim como a justiça nacional, abraça a impunidade neste país.

A maior parte dos repórteres não são vítimas são cúmplices, carrascos e algozes. Em sua maioria perdem a sensibilidade e a o amor próprio. Se vendem e se alienam, são como os PMs e soldados. Executam e são treinados pelas universidades brasileiras a não mudar nada, sem bases sociológicas e éticas. Sem porra nenhuma! Tecnicismo não muda nada para melhor.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Por uma crítica à imagem midiática

Vitória, 29/05/2007.
Kelly de Oliveira Tavares


Proposta de comunicação e relato de experiência para o
VII Seminário Capixaba sobre Ensino da Arte.

UFES_ Universidade Federal do Espírito Santo

As análises de fotografias na imprensa fazem os alunos perceberem que tais imagens não apenas ilustram uma matéria, mas também apresentam conteúdo informativo próprio, e que algumas vezes a informação da imagem não corresponde à do texto escrito, havendo um conflito de mensagens, o mesmo ocorrendo em relação à legenda e à foto que referencia.

Apesar de pesquisar há pouco tempo a leitura de fotografias midiáticas por alunos, intencionando uma formação crítica de receptores desse tipo de imagens já a partir da escola, percebo que os exercícios realizados já caminham nesse sentido, pois claramente os alunos modificam seus conceitos e pontos de vista sobre a fotografia nos meios de comunicação de massa.

Em relação à publicidade, relatos de modos de consumo mais consciente apontam para uma nova postura diante da propaganda.

Sobre fotografia e imprensa, ao fazer os alunos perceberem que a fotografia é um documento histórico com conteúdo próprio, não necessariamente atrelado a um texto escrito, demonstro que esse tipo de imagem é uma elaboração sígnica realizada por um agente de acordo com suas próprias referências, mas que atende a interesses de cada veículo e dos meios de circulação.

Mais pesquisas são necessárias, porém as atividades já realizadas indicam possibilidades de um papel ativo da escola fundamental na formação de receptores críticos da imagem midiática, contribuindo para um efetivo desenvolvimento de cidadãos conscientes.

Proponho nesta apresentação, um convite a este debate com a imagem fotográfica em sala de aula, em especial, nas aulas de arte, para trazer à tona elementos históricos, estéticos e atuais do campo da arte-educação, aliados à realidade e necessidades dos alunos de estarem preparados para estabelecer um debate crítico, um questionamento e capacitar-se para uma elaboração de condutas e estratégias de mudança, condizentes com essas necessidades inerentes não só à formação de uma comunidade, mas principalmente, à formação de cidadãos. A fim de se contrapor ao modelo passivo de sociedade que vem sendo apregoado e construído pela mídia e pelos estereótipos das imagens midiáticas.

A comunicação terá foco na importância da fotografia como objeto de percepção. Tal proposta vem sendo desenvolvida em minha monografia, que trata da fotografia como objeto de percepção e sua aplicabilidade em sala de aula e em oficinas extra-classe como a proposta que relato adiante.

Relato de experiências:

O presente relato, apresenta uma série de práticas de arte-educação, que desenvolveram-se a partir de minha pesquisa monográfica que, tem a fotografia como principal objeto de investigação e percepção.

Na versão para este seminário, trago um breve relato sobre essas experiências desenvolvidas a partir do desenvolvimento prático de diversas oficinas e da oficina que estou realizando em Goiabeiras.

A oficina, “Debate com o fotojornalismo” propõe o desenvolvimento da análise crítica e relacional de fotografias veiculadas nos principais jornais impressos da região sudeste: A Gazeta, A Folha de São Paulo, A Tribuna e O Globo.Tem carga Horária de 12 horas e está sendo desenvolvida e atendendo gratuitamente, jovens e adultos da comunidade de Goiabeiras que tem interesse na temática do fotojornalismo e leitura da imagem fotográfica.

Convidamos 50 alunos da rede pública, da escola Almirante Barroso e alguns moradores do bairro de Goiabeiras apenas 10 pessoas demonstraram interesse em conhecer a proposta da oficina, que tem duração de um mês e é realizada às sextas-feiras, 18h na Escola Pública Adão Benezaht. No terceiro encontro com o grupo, debatemos com apenas cinco alunos, mantendo contudo, o mesmo grau de interesse e participação, dos encontros anteriores.

“Observatório da Imagem”

Em sua terceira versão, a oficina intende ser uma abordagem dentro de muitas outras que estão em pauta neste projeto, que venho desenvolvendo há um ano e meio com a fotografia e a leitura de imagens e que convencionei chamar de “Observatório da Imagem”.

O “Observatório da Imagem” é um projeto que propõe o desenvolvimento de oficinas de leitura da imagem fotográfica, através de temáticas, que podem ser adaptadas a diferentes faixas etárias e realidades.

Objetivos

No caso da oficina, “Debate com o fotojornalismo”, procuramos chamar a atenção dos alunos para o desenvolvimento de uma análise crítica dos seguintes fatores:

· O papel da mídia na sociedade: Mazelas e contribuições
· A relação da sociedade com a mídia
· Imagem fotográfica x Realidade
· A espetacularização da notícia
· A estetização da violência
· As diferenças estéticas adotadas por cada editorial

Justificativa

Colocar em prática aquilo que temos o dever de fazer como cidadãos. O dever da responsabilidade social, visando integrar a sociedade em seus diversos saberes, através da contribuição pessoal para a construção de uma sociedade mais justa e ciente de seus direitos e deveres como cidadãos. Tarefa que entendo fazer parte da trajetória de qualquer educador.
Contribuímos com experiências teóricas e práticas à cerca da leitura de imagens fotográficas, do fotojornalismo e da arte-educação.

Metodologia aplicada nas oficinas

A metodologia adotada nesta oficina, fundamenta-se nos preceitos teórico-metodológicos de Paulo Freire, com base em sua Pedagogia da Autonomia e Pedagogia do Oprimido. Construindo o conhecimento em grupo, extraindo dos estudantes aquilo que eles já sabem, através do debate. Os temas geradores são fornecimento em forma de questões polêmicas, inerentes ao tema e que servem como estímulo para desenvolvimento do debate em grupo.

No trato com a imagem procuramos trazer à tona questões desenvolvidas por teóricos da área da arte-educação, como Ana Mae Barbosa e Ana Amélia Buoro, na área da filosofia a inclusão de questionamentos de Vilém Flusser, Roland Barthes e Phillipe Dubois, na área de história da fotografia e fotojornalismo, os historiadores Boris Kossoy e Jorge Pedro Souza e a crítica de fotografia Susan Sontag, como referência no campo da produção artística buscamos as referências de Rosangela Rennó e Eustáquio Neves, para citar apenas os principais autores que buscamos como suporte.