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quinta-feira, 18 de junho de 2009

LOwer City Cidade Baixa


Ensaio crítico de Kelly Tavares:

Cidade Baixa

Lower City

Director:

Sergio Machado

Cast:

Lazaro Ramos, Wagner Moura, Alice Braga, Jose Dumont

Cidade baixa or Lower City is a powerful movie that adopts a very specific site in Salvador city one of overwhelming and boiling capitals of the Brazilian culture. Instead of being on common places the movie adopts a controversial plot that leads the spectator to an also intriguing environement. These emotional turbulences that permeate the story may be misunderstood by North Americans due to the Cultural differences and values. But if you're able to see over the lenses and pre concepts you may have some insights about human nature.

Sometimes, knowing the culture of a determined place is fundamental to better understand the symbols and icons of an art work.

I myself don't like violence and sexual appeals to gather the audience in a movie. Although I could understand the way these topics were explored in this movie and I could defend this point based on the symbols that it contains and on my culture as a Brazilian. Of course it doesn't redeem the strong appealing that sensual scenes evoque on our instincts, specially when their created in such a hot and primitive way. The way of senses and primitive desire, pure flesh desire, later converted in equal powerful and uncontrolled, devastating love.

All these points are due to a life stile that generates that. It is on everyday Brazilian newspapers fragmented narratives of lives involved on misery and lack of perspectives.

On this movie we have an opportunity to go further the official” facts printed on the news, we have an opportunity to understand social relations and human feelings that may flow under specific situations according to place and culture.

For those who were terrified with the rooster’s fight, should had written at the end where there was a clear note regarding the rights of this animals and clarifying that they weren’t taken to death and it was also part of the fiction. Although, they were describing a crude reality that is going on everyday in many places despite the laws’ restrictions. The symbolism between black and white related to the rooster’s colors has a direct relation between the fight that both friends will get through against one another later and also implies the racial conflicts that still enclose our cultures and it is explicit more as a matter of fact then as an implicit incentive to violence. In the contrary, the close ups on the eyes of the protagonists at the very end of the movie reveals the complicity of these friends whose eyes clearly shows the consciousness of their irrational fight. That is a final moment of redeem, after a violent catharsis.

For those who expected a happy end a social perspective as the directors proposal, I answer that the eyes close- ups were this subjective and subliminal message of love, comprehension and friendship as an alternative to the social miseries of our cruel world.

If they would finally get to a peaceful understanding and deal who knows. The authors knowledgeably lets the end rests on its on chance, without a resolution. As a metaphor to the fact that life goes with its incongruence. As a message that transmits the inability of the cinema and of art to solve social problems itself. A moral quote at the end would put on risk the quality of the movie and compromise the subtleness of the messages implicit in the body language.

For those who doesn't know

how to gather Brazillian movies I recommend Netflix. It's an affordable way to have access to inumerous titles.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O lobinho nunca mente

O que faríamos se nos restasse apenas um instante após o outro? O que poderia nos intrigar mais que a morte, o tempo, a dúvida? A dor do outro posta à prova como nossa dor? A figura do lobinho, nesta narrativa, torna-se emblemática, na medida em que personifica aqueles valores que se deseja por à prova e só conhecendo um lobinho se pode ter idéia da dimensão da obra.
Mas, ainda que não tenhamos conhecido nenhum escoteiro, o curta de Ian SBF consegue instigar em nós sentimentos de repulsa e compaixão. Somos colocamos numa profunda identificação com o personagem, a começar pela proximidade e instabilidade da câmera e, simultaneamente, por suas reflexões que revelam a fragilidade da vida entre o tempo e a morte. Exprime não apenas do personagem, mas de nós mesmos a idéia do que representa “ser humano”. Revelando mazelas, fragilidades e desesperanças.
A luz incômoda, opaca e sem contrastes, ressalta o isolamento e o abandono em que o personagem é lançado, na obscuridade dramática do insosso. O sentido, aparentemente negativo, que se revela com o desenrolar dos fatos e final cortante, deixa simbolicamente implícita a imanência da morte, contida em cada instante, conferindo à trama um sentido tragicômico inerente também à vida e a arte. Negar isto à ficção seria negar sua capacidade de renascer a cada ato criador, seria negar esta possibilidade ao próprio espectador.
Aqui, o humano assume dimensões limítrofes entre o apodrecimento implícito a todo ser vivente e o valor inerente a tudo que se move, respira e surpreende por seu ímpeto de ser. Perversa não é a imagem projetada sobre a tela, desvelando a ficção perturbadora de caráter ambíguo, e sim a castração do ato criador que, neste caso, ao apagar das luzes, revela quanta força pode haver em um pensamento, em uma manifestação enquanto houver vida, ainda que esmagada, exangue, contida e inerte.
Kelly Tavares

Crisálidas

A animação de Fernando Mendes cria uma atmosfera de elucubração insólita, preenchida por recursos gráficos e planos de ação que se sucedem de maneira quase onírica. Produzem uma estética da ordem do misterioso, do mágico, do encantamento. Um encantamento obscuro que traduz o medo, a dramaticidade da trama, das relações castradoras entre o imaginário infantil e a realidade opressora.
Tal atmosfera é descrita através de gestos e fotografias em tons contrastantes de cinza e deixa como impressão a permanência da penumbra em contraste com ambientações luminosas que elucidam os momentos de sonho e esperança da personagem principal, em contraposição ao clima neo-barroco provocado para expressar e ampliar o caráter dramático das cenas de conflitos entre a menina e o mundo restrito em que é levada a habitar.
A crisálida de Fernando Mendes parece não ganhar asas e condenar-se por uma narrativa que, ao final, não mais pode sustentar-se nos ritmos e recursos visuais em pregados, na medida em que, o sentido da trama, perde-se em meio à ornamentação gráfica e dinâmica das imagens estáticas em seqüência.
Kelly Tavares(texto produzido na oficina “O curta-metragem brasileiro: história e crítica”)

Postado por 14° Vitória Cine Vídeo às 09:43
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Pipo Pipa

Como falar do deleite? Transpor em palavras um momento de prazer? A animação Pipo Pipa nos impõe um desafio diante das palavras e nos aquieta no silêncio das ações pausadas e tranqüilas, empregadas pelo ritmo e enredo deste personagem em busca do prazer em um momento de lazer com sua pipa de brinquedo.
A trajetória de Pipo descreve um fluxo de acontecimentos que tocam o imaginário e parece apelar para a criança existente em cada espectador, angariando simpatia, risos e exclamações da platéia.
Através de recursos visuais elementares de constituição bastante simples, cores que se complementam em harmoniosos tons frios e pastéis, o espectador é levado a uma atmosfera descompromissada e atenta para, em seguida, surpreendê-lo com o inverossímil e daí a sensação de deleite, o encantamento indescritível da trama, que conduzem o espectador até o final.
Kelly Tavares(texto produzido na oficina “O curta-metragem brasileiro: história e crítica”)

Postado por 14° Vitória Cine Vídeo às 09:44
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Santiago


O longa-metragem “Santiago”, de João Moreira Salles, que passou no dia 14 às 21h30, no Teatro Glória, recebeu o prêmio de Melhor Documentário no 29º Festival de Cinema do Real, em Paris, e reúne entrevistas que o diretor fez com o ex-mordomo de sua família, em 1992, na intenção de realizar um filme documentário. Posteriormente, o diretor retoma o material e resolve fazer um filme sobre o filme que realizaria, propondo assim uma metalinguagem, que leva o público a refletir sobre a natureza do cinema.

Na medida em que o diretor encanta pelo uso dos recursos cinematográficos ele também proporciona ao espectador o vislumbre do desencanto, quando expõe de maneira exaustiva as divagações e memórias de seu personagem, seus anseios e obsessões, na maneira como as cenas são montadas, que cenários e ações são compostos, deixando perceptível o controle de algo aparentemente dotado da mais pura espontaneidade.

O encanto do filme encontra-se na linguagem cinematográfica em si. Os sons, a música, a interferência dos produtores, a escolha do preto e branco, que confere uma dramaticidade e um certo classicismo à narrativa. Mas, sobretudo, à fotografia de Walter Carvalho com inspiração nos planos utilizados pelo cineasta japonês, Yasugiro Ozu (1953) ao qual o diretor faz referência nos créditos ao final do filme. A maneira como se explora a intertextualidade, a fronteira entre as diversas linguagens da arte, a plasticidade das cenas, com iluminações minuciosamente planejadas, no intuito de conferir maior expressividade ao personagem e às locações, ao gestual, a inclusão de textos e a maneira como esses textos ocupam o espaço da tela, são detalhes marcantes da composição documental e que por si sustentam a obra e traduzem a sua poética.

Tais elementos transformam a narrativa num feedback sentimental sobre um lugar do passado, a casa do diretor, na Gávea, no Rio de Janeiro e um personagem memorável. Com relação à antiga casa do diretor na Gávea, vale a pena lembrar as cenas iniciais, onde dentro de um ambiente de estúdio são expostos em seqüência, porta-retratos com fotografias em preto e branco, de espaços internos dessa mesma casa, que pelo conteúdo simbólico, de porta-retratos que detém retratos de espaços vazios, já valem todo o filme.