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sábado, 6 de junho de 2009

Seal Moons




Ola Pessoal,


Nesta série de fotografias divido com vcs o prazer que fiz em desenvolvê-la. Espero que apreciem e agradeço caso possam contribuir com feedback.


Estou pensando em fazer um pequeno video com as fotografias das "Seal Moons" realizando uma trajétória imaginária.


http://www.flickr.com/photos/quasarte/page2/
Um grande abraço.



Seal Moons



The “Seal Moons” photographic series suggests the presence of nature and cosmos. The aesthetical result evokes Native Americans’ myths related to the moon and animals. The blurriness of these images inspired me to create this analogy that goes beyond the potential of a sharp image that a telephoto lens would give me if I had used it.


In this case, the ability to overcome the predetermined limits of the equipments involved on the creative process is a way to the artistic expression and it has been a challenge on my photographic search.



Luas de foca


A série fotográfica “Seal Moons”, sugere a presença da natureza e do cosmos. O resultado estético evoca mitos de diferentes povos indígenas americanos onde a lua e animais se relacionam. O aspecto embaçado dessas imagens me inspiraram a criar esta analogia que vai além do potencial de uma imagem nítida que uma lente telebjetiva teria me dado se eu a tivesse utilizado.


Neste caso, a habilidade de ultrapassar os limites predeterminados dos equipamentos envolvidos no processo criativo é um caminho para a expressão artítica em si e tem sido um desafio na minha busca da arte através da fotografia.





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Memorial descritivo de “Petites Histoire”



“Petites Histoire” é composta por uma série de 50 fotografias e apresentadas sobre papel fotográfico e slide show (usando o Windows Movie Maker). Intende reduzir a imagem a sua essência até que não haja mais a imagem fotográfica em si, até que a narrativa trace um enredo de fatos e revele o imaginário como produto do real.

Ao deixar-se envolver pelas “pequenas histórias”, mergulhamos num roteiro sem pretensões de concluir-se. Os “snapshots” ou cenas curtas, dispostos em sequência, sugerem histórias particularese cotidianas que oscilam entre as imagens do real e do ficcional. Nos convidam, através dos títulos de cada movimento, à criação d uma história ou, quem sabe, de várias histórias.

Essa possibilidade criativa à que se pode permitir o o observador é dotada de uma atmosfera perene, uma vez que contém o poder de se recriar infinitamente seja por fruição filosófica acerca da representação fotográfica, seja pela interação do espectador com as pequenass narrativas imaginárias.

A apresentação em slide show estabelece uma relação com a imagem fotográfica e propõe um ritmo de leitura pré-estabelecido por um movimento contínuo composto por outros movimentos ou histórias.

Já a apresentação em papel fotográfico, apesar de estática, assume um caráter dinâmico na medida em que dialoga com a forma estrutural dos quadrinhos e concede aos espectador a liberdade de estabelecer tempos de leitura variados sem, contudo, finalizar as cenas.

Vitória, 15/02/2008

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Da percepção da imagem fotográfica

Da percepção da imagem fotográfica tratam muitos autores. Este estudo respalda-se em teóricos como Susan Sontag, Roland Barthes, Vilém Flusser, Tadeu Chiarelli, Boris Kossoy com os quais se estabelece um diálogo e procura-se ampliar a compreensão das imagens fotográficas.

Ao analisar uma imagem, percebe-se a complexidade de elementos que se encontram inseridos na mesma, de maneira objetiva ou subjetiva, implícita ou explícita, e procura-se recorrer às palavras para descrever o que é percebido. Observa-se entretanto que, as palavras por si só, não dão conta do objeto fotográfico como um todo, daí, a necessidade do uso da imagem para ilustrar o objeto de análise.

O processo inverso também decorre, tornando complexa a criação ou produção de uma determinada imagem a partir de um conjunto de palavras que procuram descrever um dado objeto.

Contudo, estes elementos coexistem e relacionam-se criando outras estruturas semânticas. Ao perceber a existência desta complexa relação entre os elementos de uma imagem fotográfica, começamos a nos indagar acerca da existência de imagens ideais, que representem determinadas situações. Indaga-se sobre o ato criador dessas imagens e o que se poderia fazer para produzir imagens que detenham um ou outro valor estético adotado ou desenvolvido e que, ao mesmo tempo, despertem o interesse do espectador. Reflete-se sobre a necessidade de se despertar o interesse do espectador, de produzir e consumir imagens, da intencionalidade envolvida em sua produção e difusão e onde tudo isso começa. Esta pesquisa surgiu dessas expectativas em busca de solucionar questões que surgem, quando nos deparamos com determinadas imagens fotográficas ou quando nos vemos imersos em um mundo dominado e fortemente influenciado pelas imagens.

No presente trabalho, propomos a leitura da imagem fotográfica a partir do desenvolvimento de um olhar analítico e crítico acerca dos elementos visuais percebidos. Analítico no sentido de identificar os critérios estabelecidos para a produção da imagem, tal como composição, luz e sombra, cores, formato, assunto, contexto em que a imagem está sendo veiculada, sua materialidade, conceitos e etc. E crítico, na medida em que, questionamos a relevância do assunto como critério de comunicação visual, ou de linguagem. As dimensões e localização na mídia em que é veiculada, no espaço editorial ou de galeria, a leitura simbólica dos elementos constituintes da imagem, sua funcionalidade dentre muitos outros aspectos. Importante lançar mão de uma leitura criativa, a fim de, incorporar elementos do imaginário[1], interpretando e associando a imagem representada com a imaginária, a fim de ampliar as possibilidades de leitura da imagem em foco.

Possibilitar uma leitura que parta de interesses pessoais e crie uma relação de curiosidade ou afetividade com determinadas imagens a fim de, efetuar uma leitura seletiva e qualitativa para um conhecimento mais amplo do mundo e de si mesmo. Estabelecendo uma relação com as imagens que nos intercedem diariamente e com aquelas que dizem respeito ao campo das artes plásticas, destituindo nosso olhar da superficialidade com que costumamos nos remeter às imagens em nosso cotidiano, rompendo com um olhar apressado e ingênuo para a construção de um olhar mais circunspecto.

Levou-se em conta ainda, a diversidade de padrões estéticos e o discernimento de valores, no campo das artes visuais e da cultura midiática como um todo. Analisaremos, criticamente, não só a materialidade de uma imagem e os princípios estéticos que a compõem mas, também, os princípios filosóficos, semiológicos, iconográficos e iconológicos[2] na busca pela essência da linguagem e intencionalidade do artista, mídia ou fotógrafo e de sua produção poética ou técnica, no caso de se tratar de uma imagem que não tenha a linguagem artística como um fim único.

A percepção da imagem fotográfica está intimamente ligada à veiculação das imagens desde sua gênese num contexto moderno da cultura midiática, até os dias atuais. Tal fato que se reflete inclusive, na produção dos artistas contemporâneos que lidam com essa modalidade. Contudo, na presente pesquisa não faremos análises de produções publicitárias ou fotojornalísticas, mas, apontaremos alguns de seus reflexos nas artes plásticas, quando levamos em conta as influências que a cultura das mídias exerce no contexto social e que procuraremos explicitar numa análise crítica da obra de Rosângela Rennó.

Nesta proposta discorremos sobre algumas fontes teóricas que analisam e refletem a questão da fotografia no campo das artes visuais e que tratam das relações de mistificação e desmistificação da imagem na arte contemporânea, utilizando a título de análise, a leitura de duas séries de trabalhos produzidos por Rosângela Rennó, contextualizando-as no espaço e tempo. Não temos o intuito de traçar um cronograma pormenorizado, do trabalho da artista, entendendo que, para isso, existem outras fontes que o fizeram. Incluímos, no decorrer do texto e em especial, no capítulo que trata da questão da identidade na fotografia contemporânea, junto à análise do trabalho de Rennó, questionamentos acerca da construção e desconstrução dessas identidades[3], como pretexto para aprofundamento de questões que foram colocadas em pauta para reflexão.

Acerca da percepção no campo das artes plásticas, KOSSOY afirma que este é um ponto ainda pouco explorado pela crítica e pela história e faz menção a uma suposta falta de finalidade utilitária na fotografia como expressão artística[4] fato que contestaremos no próximo tópico.

O trabalho foi estruturado em quatro capítulos. No segundo capítulo propõe-se algumas possibilidades de leitura da imagem fotográfica como objeto de percepção do mundo que nos cerca. Abrangendo também o campo da apreciação da arte, reconhecimento de obras, identificação de ambiguidades e da fotografia como objeto ou linguagem artística. No terceiro, faz-se um recorte a partir de registros fotográficos de dois trabalhos, de Rosângela Rennó. Um deles denominado “Puzzle”, uma instalação que remete a um jogo de quebra-cabeças com fotografias de pessoas anônimas e do qual trataremos detalhadamente, juntamente com um segundo trabalho da mesma artista denominado: “O grande jogo da memória”, que remete a um jogo infantil com imagens em duplicata.

Na impossibilidade de acesso a tais obras, as análises pautam-se no material fotográfico reproduzido nos livros listados na bibliografia ao final do trabalho.

A fim de auxiliar na pesquisa de arte-educadores interessados por um aprofundamento no tema que introduzimos neste trabalho, propõe-se no capítulo quatro, um estudo com base em teóricos da educação, que tratam da leitura semiótica, tais como Ana Amélia Buoro e Ana Mae Barbosa e de teóricos e críticos que tratam da leitura fotográfica por uma ótica filosófica e sociológica. Abarcando conteúdos estéticos inerentes não só ao material fotográfico, mas à obra de arte como um todo.

Para ampliar o suporte metodológico de leitura das imagens analisadas, dentro do contexto historiográfico das obras, recorremos, ainda, as reflexões de KOSSOY[5], por este trazer um olhar mais sistematizado, característico de uma metodologia para a leitura da fotografia como documento histórico.

O objetivo desta pesquisa é contribuir, de maneira introdutória, para uma análise das imagens fotográficas e do papel que elas ocupam, hoje, em nosso cotidiano, bem como, da importância de voltarmos à elas um olhar mais crítico, no intuito de ampliar nossa percepção e atuação consciente para a promoção de transformações significativas em nossa sociedade e modos de vida, ou seja, passarmos da condição de consumidores passivos a cidadãos ativos.

[1] Entendemos como elementos imaginários aqueles que se encontram em nossa mente como um conjunto de experiências imagéticas acumuladas, experiências de coisas que vimos e vivemos em nossa história de vida e dos valores agregados de nossa cultura.
[2] KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 2ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.95
[3] CHIARELLI, Tadeu. Identidade Não Identidade: Fotografia Contemporânea Brasileira. Junho de 1997, site: http://www.fotoplus.com/fpb/fpb002/b002c.htm.
[4] Cf. Idem, p. 137.
[5] KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 2ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Bibliografia indicada

ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. Nova Versão: trad. Ionne Terezinha da Faria. 12ª reimpressão, São Paulo: Pioneira, 1980.
AUDTIN, John Langshaw. Sentido e percepção. Trad. Manuel Mora de Oliveira. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
BARBOSA, Ana Mãe. A Imagem no Ensino da Arte: Anos 80 e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.
BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Trad. de Julio Castañol Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
_________. Rethoric of image. Apud. INNIS. Robert E. (org.) Semiotics. An Introductory Anthology. Bloomington: Midland Book, Indiana University Press, 1985.
BUORO, Ana Amélia Bueno. Olhos que pintam: A leitura da imagem no ensino da arte. 2ª ed. São Paulo: Educ/Cortez, 2003.
CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Midias. São Paulo: Contexto, 2006.
CHIARELLI, Tadeu. Identidade/ Não Identidade: Fotografia Contemporânea Brasileira; Junho de 1997, site: http://www.fotoplus.com/fpb/fpb002/b002c.htm.
__________. Tadeu. O tridimensional na Arte Brasileira dos anos 80 e 90. Genealogias e superações. In: Tridimensionalidade. São Paulo: Instituto Itaú Cultural, 1997.
DAY, R. H. Psicologia da percepção; [trad. Departamento de Psicologia Educacional, Faculdade de filosofia, Ciências e letras], Universidade de São Paulo. 3ª ed; Rio de Janeiro: José Olympio,1979.
DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. Trad. Marina Appenzeller, 2ªed, Coleção ofício de arte e forma, Campinas, SP: Papirus, 1998.
FLUSSER, Vilém. A filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. 1ª ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
FOERST, Gerda M. S. Leitura de imagens: Um desafio à educação contemporânea. Vitória: EDUFES, 2004.
FONTCUBERTA, Joan (org.). Estética Fotográfica. Una selección de textos. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, 2ª ed. 2004.
GURAN, Milton. Linguagem Fotográfica e Informação. Rio Fundo, Rio de Janeiro: Gama Filho, 1992.
HERKENHOFF, Paulo. Rosângela Rennó. São Paulo: EDUSP, 1998.
INNIS. Robert E. (org.) Semiotics. An Introductory Anthology. Bloomington: Midland Book, Indiana University Press, 1985.
KELLNER, Douglas. A cultura das mídias – Estudos culturais: identidadee política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.
KOSSOY, Boris. Fotografia & História, 2ª ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.
OLIVEIRA, Ana Claudia (org.) Semiótica Plástica. São Paulo: Hacker Editores, 2004.
PILLAR, Analice Dutra (org.) A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre: Mediação, 1999.
SANTAELLA, Lucia & NÖTH, Winfried. Imagem, cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1997.
SHOHAT, Ella e STAM, Robert _ Crítica da imagem eurocêntrica._ Multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
SOUZA, Jorge Pedro. Uma história Crítica do Fotojornalismo Ocidental. Florianópolis/Chapecó: Grifos, Letras Contemporâneas, 2000.
SONTAG, Susan. Ensaios sobre fotografia. Trad.Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Monografias:

ALVES, Augusto Capovilla. Projeto: FOTO-GRAFA. Vitória: UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), 2006.(monografia de conclusão de curso)
AGUIAR, Tânia Pereira. Leitura de imagens: Uma abordagem na sala de aula. Vitória: UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), 2005. (monografia)

Fotolivros:

HERKENHOFF, Paulo. Rosângela Rennó. São Paulo: EDUSP, 1998.
NEVES, Eustáquio. Coleção FOTOPORTÁTIL, vol.5, São Paulo: Cosac Naify, 2006.
SILVA, Fernando Pedro da & RIBEIRO, Marília Andrés. Rosângela Rennó: Depoimento [Edição do texto e organização do livro: Janaína Melo] Belo Horizonte: C/Arte, Coleção Circuito Atelier, 2003.
RENNÓ, Rosângela. O Arquivo Universal e Outros Arquivos. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
WECHSLER, Lawrence. David Hockney _ Camera works. 1ª ed. London: Thames and Hudson Ltd, Great Britain, 1984.

terça-feira, 31 de julho de 2007

A leitura da imagem fotográfica em sala de aula

Após o desenvolvimento da parte introdutória desta pesquisa, de seus objetivos e embasamento teórico, por exigência da especificidade pedagógica da graduação em Artes Visuais, propomos o desenvolvimento da leitura de obras da artista Rosângela Rennó a partir de interesses pessoais que surgiram de uma relação de empatia e estranhamento com seus trabalhos. Contudo, tal proposta de trabalho pode ser desenvolvida, em sala de aula e precisará ser redimensionada e adaptada ao contexto arte-educativo, podendo ser trabalhado com alunos do ensino médio. O texto em si, servirá como material referencial para a pesquisa de estudantes e professores. A fim de oferecer um referencial teórico relacionado com o campo da arte-educação, penso nesse trabalho a partir de alguns pontos que considero fundamentais para uma reflexão mais aprofundada no contexto educacional.

Todas as propostas a seguir trazem como premissa o desenvolvimento de um olhar mais apurado, ou seja mais analítico e crítico sobre a imagem fotográfica.

Segundo KELLNER[1], a crítica contribui para identificarmos focos de resistência e dominação dentro da cultura midiática a fim de, reforçarmos a luta por uma sociedade mais democrática. Tal fato, porém, implica a necessidade de um estudo cultural minucioso que revelará mídias repletas de ambigüidades e antagonismos, inerentes a uma investigação sociológica da imagem. Revelando a coexistência de conteúdos ideológicos diversos com diferentes focos de contestação que representam visões multiculturais específicas da contemporaneidade.

KELLNER desenvolve uma metodologia de análise crítica da cultura de mídia levando em conta a diversidade cultural e sugerindo uma leitura sócio-histórica, que atente para os focos de luta, de correntes variadas como, por exemplo,as perspectivas feministas, marxistas, raciais e a sua complexa formação. Bem como o aprofundamento ou o intercâmbio entre conhecimentos do campo da psicologia, da semiótica, da história, dentre outras ciências, a fim de, aprofundar o olhar através da utilização de pontos de vista variados e abarcar uma pluralidade de fatores.

Embora saibamos que o valor estético de uma obra não possa ser julgado ou reduzido apenas ao seu conteúdo, também não podemos ignorar que o objeto de arte por instituir-se como produto sociológico, não estará isento de ideologias, posições políticas ou morais, em sua gênese. Tal fato, levado em conta, agregará valores no momento da análise.

O referencial de Rosângela Rennó não deve ser entendido como obrigatório. Foi utilizado nesta pesquisa por relacionar-se com questões fulcrais que permeiam a imagem fotográfica e a imagem midiática no atual contexto da arte brasileira e por ilustrar o que atestamos anteriormente, como valor agregado de contestação social inserido na obra de arte. Na medida em que a artista introduz em sua obra elementos excluídos ou oprimidos historicamente. Tal como o papel da representação feminina, do casamento, do negro e dos indivíduos marginalizados em nossa sociedade.

O professor de artes hoje, depara-se com realidades diferentes que, têm em comum o excesso de exposição às imagens midiáticas e, em contraposição, a carência de acesso às imagens produzidas no campo das artes plásticas bem como do acesso a análises críticas dessas mídias. O consumo de imagens em alta velocidade, como é o caso das mídias televisivas, cinematográficas ou na internet imprime no telespectador uma maneira pré-editada e programada de percepção[2] que, geralmente, propaga valores eurocêntricos[3] de caráter dominador, que levam a sociedade a um processo de alienação cultural e desconhecimento do potencial da imagem como veículo de informação. Tornando os indivíduos incapazes de se colocar de maneira investigativa e crítica diante de sua realidade e transformando-os em consumidores passivos.

Assim, propomos como ponto de partida, ao trabalhar fotografia com estudantes de nível médio, um debate sobre as imagens midiáticas, cinematográficas, fotojornalísticas e publicitárias. Tais imagens, por fazerem parte do cotidiano dos estudantes e por serem amplamente veiculadas pelos meios de comunicação de massa, podem servir como rico material de introdução ao tema de pesquisa para, posteriormente, abranger artistas que trazem uma crítica a esses meios, às imagens e à maneira como elas são veiculadas ou que utilizam a imagem fotográfica como forma de expressão. Aproveitando para avaliar as mídias em que são difundidas tais imagens e a maneira que essas mídias se utilizam para difundi-las. Tal avaliação comparativa ajudará o aluno a perceber a influência que os veículos transmissores de informação exercem em nossa maneira de perceber a imagem e como acaba por influir na nossa maneira de perceber e se relacionar com o mundo.

Uma metodologia viável pode partir da análise de imagens que se encontram no cotidiano do aluno para, estabelecer uma postura reflexiva com a imagem fotográfica. A fim de compreender e levantar questões acerca de seu alcance no imaginário coletivo (através da análise das reações e opiniões do público), suas influências na constituição da sociedade e sua funcionalidade. Pode-se, posteriormente, estabelecer um paralelo com as imagens no campo das artes plásticas, neste caso, com os trabalhos da artista Rosangela Rennó, que ressignificará o papel da mídia em sua trajetória artística, utilizando-a como matéria-prima para o desenvolvimento de sua linguagem.
Estabelecer essa relação trará à luz uma conexão entre arte, cotidiano e realidade do aluno que poderá, se desejar, incorporar idéias contidas nas obras da artista, por entender a sua crítica diante da sociedade ou numa outra abordagem, estabelecer relações entre o papel da arte em nossa sociedade, ou ainda, partir para um exercício de produção própria.

Como referência histórica no campo da leitura de imagem, recomendo o trabalho proposto por Ana Mae Barbosa[4]. Sua proposta visa desenvolver vivências que incluem a fruição ou observação das obras, uma interpretação e um fazer produtivo, estabelecendo relações com um desenvolvimento da capacidade de crítica da obra de arte, por parte do aluno. Propondo alguns procedimentos com base na descrição, produção e análise de imagens. De sua interpretação e julgamento, especulando seus significados com base em dados coletados anteriormente, discutindo questões estéticas que tratam diretamente de sua qualidade expressiva, sem emitir juízos de valor como conceitos de belo ou feio. Segundo Ana Mae: “Quando falo de conhecer arte falo de um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter-relacionando fazer artístico, a apreciação da arte e a história da arte.”[5]

Estudamos ainda, a proposta metodológica com base em estudos semióticos realizados por Ana Amélia Bueno Buoro, em seu livro: Olhos que pintam[6] que, por sua vez faz referências a pesquisadores como Robert Ott, Edmund Feldman, Michael Parsons e A. J. Greimas dentre outros.

As propostas desses pensadores sobre o ensino de arte nas escolas convergem de certa maneira para pontos em comum, tal qual podemos verificar na proposta de Robert Ott que vem de encontro à proposta de BARBOSA e BUORO e a qual citaremos a seguir, a fim de complementar as sugestões postas anteriormente, de análise da imagem com fins didáticos.

Segundo Ott[7], tal análise pressupõe as seguintes ações: descrever, analisar, interpretar, fundamentar e revelar. Descrever implica em investigar tudo o que pode ser percebido sobre uma obra que se pretende estudar criticamente; Analisar é, segundo o autor, a investigação dos elementos da composição e formas da obra de arte; Interpretar se transforma no momento da expressão de reações, reflexões e emoções suscitadas pela obra; Fundamentar é a possibilidade de agregar conhecimento e informações à obra, que provenham da história da arte e do campo da crítica; Revelar consiste no desenvolvimento, pelo aluno, de uma produção artística inicial;
Com base em experiências práticas de oficinas realizadas com alunos do ensino fundamental e médio[8] e estudos de arte - educadores como Joly, Ana Mae e Buoro pensamos a análise de imagens a partir de alguns pressupostos, com ênfase nos exercícios de observação e problematização.

Para JOLY[9], a leitura de imagem sugere três questões e a definição dos objetivos de análise:
Um ponto fundamental para definir uma metodologia de análise está na definição dos objetivos que se deseja atingir ao analisar uma determinada imagem. A definição dos objetivos possibilitará planejar e encontrar os meios mais adequados para definir a pesquisa e investigar a temática escolhida.

A primeira refere-se à imagem como “linguagem universal” por se tratar, muitas vezes, de algo reconhecível, o que sugere uma leitura natural, não exigindo do leitor nenhum aprendizado. Segundo JOLY, esse pensamento pode contribuir tanto para a banalização do ato perceptivo como para a introdução de aspectos elementares na leitura de uma imagem, que não pode se reduzir a identificar objetos retratados.

Contudo, procuraremos refutar que, nenhuma leitura pode ser natural, uma vez que é efetuada de acordo com um repertório cognitivo adquirido a partir de experiências anteriores. Daí a banalização à qual Joly se refere. A nosso ver, ele coloca como leitura “natural” aquela que aprendemos intuitivamente mesmo antes do domínio do texto escrito, leitura essa realizada, na maior parte das vezes, sem um conteúdo crítico pormenorizado. Em suma o autor propõe um estranhamento ao comum, ou seja, uma desnaturalização e um enriquecimento perceptivo do ato de ver. Tal exercício nos permite rever uma imagem a partir de uma nova ótica e compreender que interpretar é ampliar a capacidade de compreensão de uma imagem ao infinito. Com um desejo de descobri-la para além da banalidade ou do comum a que pode ter sido legada. Propiciar ao espectador desta obra, uma nova elaboração de idéias na percepção de detalhes que antes não foram observados. Uma ressignificação de símbolos, mesmo que estes já tenham sido amplamente difundidos. Provando que é possível reverter esta percepção ao infinito, toda vez que o espectador relaciona-se com a obra de maneira criativa.

A segunda terá um caráter problematizante e perscrutador, relaciona-se ao que o autor atentou, como sendo uma leitura em busca da intencionalidade de seu produtor. Interpretar uma mensagem e analisá-la, não consiste apenas em tentar encontrar ao máximo uma mensagem pré-existente mas, compreender e questionar o que essa mensagem, nessas circunstâncias, provoca em termos de significação aqui e agora, enquanto se tenta separar o que é pessoal do que é coletivo e, neste ponto, vamos de encontro às considerações feitas por outros autores que citamos no segundo capítulo do presente trabalho.

A terceira questão vincula-se ao caráter artístico que uma imagem possa apresentar. Esse aspecto poderia ser um impeditivo da leitura, pois a arte não seria da ordem do intelecto apenas, segundo ele, mas do afetivo e do emotivo. Segundo Joly, temos o hábito de considerar o campo da arte oposto ao da ciência, de pensar que a experiência estética pertence a um pensamento particular, irredutível ao pensamento verbal. Com tais afirmativas, o autor supõe que as imagens no campo da arte podem e devem (se houver interesse ou necessidade) ser analisadas sistematicamente, inclusive, através de meios técnicos.

Já Ana Amélia Bueno Buoro[10], fala do reconhecimento de uma linguagem visual que, para ser lida, precisaria ser entendida em sua sintaxe, comparando a introdução à leitura de imagem, a uma espécie de “alfabetização” através dos elementos plásticos contidos na obra. Daí a necessidade do educador também se formar como um leitor de imagens visuais.

Neste ponto conviria dizer que, a abordagem semiótica feita por BUORO, vai de encontro ao que, para KOSSOY, implicaria numa análise iconográfica[11], detendo ambos, pontos em comum, apesar da utilização de metodologias diferenciadas, bem como conceituações referentes à sua área de pesquisa específica.

Contudo, ao pensar em “alfabetização”, nos sobrevém a idéia de uma metodologia de ensino-aprendizagem que leve a tal resultado e, sobre isto, cabe uma reflexão importante: Pensar a alfabetização de imagens, não é pensar de maneira restrita, onde a existência de uma determinada metodologia funcionaria tal qual um receituário pronto para ser aplicado em uma sala de aula. Este é um processo complexo do qual, tratam muitos outros arte-educadores e que cabe a cada educador-pesquisador, encontrar a partir de sua realidade, os fundamentos elaborados por diversos teóricos da educação, refletir sobre suas idéias e propostas e trocar experiências experiências a fim de pensar e refletir sobre a sua realidade.

Assim como KOSSOY, BUORO ressalta a importância do conhecimento historiográfico para o ensino da arte e aprofundamento na compreensão da imagem.

No caso da obra de Rennó, seria necessário, segundo Buoro, buscar referências históricas em textos escritos por historiadores, críticos de arte e inclusive pela própria artista (em forma de depoimentos, entrevistas ou textos), para entendermos melhor a sua obra, sua trajetória profissional, processos de criação, conflitos e a maneira como concebe seu trabalho em relação com o mundo. Tal processo metodológico, contextualizaria a obra e ampliaria nosso conhecimento acerca de sua linguagem, intencionalidade, produção e relevância histórica para a arte contemporânea.

A autora atenta, ainda, para o fato de que, a análise histórica se constitui também na linguagem do historiador, que por sua vez dispõe a sua leitura pessoal e discurso persuasivo.[12] Assim, tal fato, exigirá do pesquisador uma leitura crítica destas fontes.

Uma sugestão dada pela autora implica na leitura da própria imagem, ou seja, para melhor compreender uma obra, seria importante nos pautarmos na própria obra como elemento crucial de nossa análise. Pois, a obra em si, já abarca grande parte dos elementos necessários para estabelecer um diálogo introdutório a fim de a compreendermos melhor. Passando, posteriormente, ao texto ou conteúdo histórico e sociológico, não sendo estas, necessariamente uma ordem metódica.

Um ponto de partida para a leitura da obra, segundo Ana Claudia de Oliveira (também citada na tese de Buoro) propõe um itinerário de leitura perceptiva dos elementos constituintes da obra em relação uns com os outros.

Estabelecer relações entre os elementos da imagem, segundo Buoro, seria perceber em seu significado, na medida em que a leitura se aprofunda e se constrói com base na análise de dimensões visíveis ou invisíveis na obra, a maneira como os elementos se modificam e dialogam para compor o conjunto da mesma. Como aspectos visíveis, a autora cita alguns desses conteúdos imprescindíveis para a leitura, aos quais ela denomina em sua obra como dimensões eidéticas, cromáticas e topológicas[13]. Apesar de serem abordados para a análise de pinturas, procuramos ao ler sua tese, captar elementos que pudessem ser aplicados à leitura da imagem fotográfica o fizemos também, quando descrevemos as obras colocadas neste trabalho para análise[14].

As dimensões eidéticas (relativas à forma, às linhas, aos planos), as cromáticas (relativas às cores) e as topológicas (que relacionam e os elementos eidéticos e cromáticos no espaço da obra, trabalha composição como um todo, tratando não apenas das questões relativas a volumes[15] e espaços mas, também, todas as referências presentes nas outras dimensões[16]. Disposição da obra no espaço, iluminação, suportes, materialidade, dimensões.

Enfim, como dito anteriormente, o desenvolvimento de qualquer proposta em sala de aula, dependerá dos critérios adotados pelo professor e do planejamento traçado por ele junto à turma, de acordo com os objetivos que se deseja atingir. Para isso, acreditamos que o educador não precisa restringir-se a abordagens que dizem respeito apenas ao campo da arte, mas deve também, permear o campo da cultura midiática e analisar imagens fotográficas que compõem o universo publicitário, fotojornalístico e o ciberespaço ajudando os alunos a perceber a maneira como essas imagens estão atuando profundamente na formação de nossa sociedade.

Importante levar em conta que os jovens, hoje, são também produtores, consumidores e difusores de imagens fotográficas, sobretudo, pela internet ou pela televisão. Daí a relevância de pesquisar, de maneira crítica, essa vasta produção (amadora ou não) e refletir sobre seus aspectos junto à atualidade e de que maneira os conhecimentos do campo da arte podem ajudar no questionamento e transformação deste tipo de produção, cujas conseqüências, intimamente ligadas ao culto imagético, sobretudo da auto-promoção narcisística, do culto da imagem de caráter eurocêntrico e do consumo, ainda não terem sido amplamente delineadas por estudos sociológicos.

[1]KELLNER, Douglas. A cultura das mídias. Estudos culturais: identidadee política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001, p. 132.

[2] Cf. CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das Midias. São Paulo: Contexto, 2006, p. 18.
[3] Entende-se por abordagem eurocêntrica, não apenas as manifestações culturais e visões de mundo provenientes do continente europeu mas, também, aquelas de países como os Estados Unidos que mantêm e exercem um domínio sobre os demais países. Ver: SHOHAT, Ella e STAM, Robert _ Crítica da imagemeurocêntrica._ Multiculturalismo e representação. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

[4] Cf. BARBOSA, Ana Mae. A importância da imagem no ensino da arte: Diferentes metodologias. (Apud. A imagem no ensino da arte: Anos 80 e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991, p. 36-37.
[5] BARBOSA, 1991, apud FOERST, Gerda M. S. Leitura de imagens: Um desafio à educação contemporânea. Vitória: EDUFES, 2004, p. 99
[6] Cf. BUORO, Ana Amélia Bueno. Olhos que pintam: A leitura da imagem no ensino da arte. 2ª ed. São Paulo: Educ/Cortez, 2003, p. 31.
[7] Robert Ott, p.128; Apud. FOERST, Gerda M. S. Leitura de imagens: Um desafio à educação contemporânea. Vitória: EDUFES, 2004.
[8] Foram realizados estágios com estudantes de escolas públicas e particulares nos anos letivos de 2006 e 2007, na cidade de Vitória.
[9] Apud. FOERST, Gerda M. S. Leitura de imagens: Um desafio à educação contemporânea. Vitória: EDUFES, 2004, p. 41-46.

[10] Cf. BUORO, Ana Amélia Bueno. Olhos que pintam: A leitura da imagem no ensino da arte. 2ª ed. São Paulo: Educ/Cortez, 2003, p. 31.
[11] A análise Iconográfica tem o intuito de detalhar sistematicamente e inventariar o conteúdo da imagem em seus elementos icônicos formativos; o aspecto literal e formativo prevalece, o assunto registrado é perfeitamente situado no espaço e no tempo, além de corretamente identificado. KOSSOY, Op. Cit. p. 95.
[12] Cf. BUORO, 2003,p. 78 e 66
[13] Cf. BUORO, 2003,p. 134.
[14] Ver p. 14 a 17 desta monografia.
[15] Quando aqui falo de volume, refiro-me à ilusão de volume causada entre as relações de luz e sombra encontradas na fotografia.
[16] Ibid., p. 135